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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A propósito da criança e do jovem

Editorial

Realizou-se recentemente, em Leiria, um encontro de Instituições de Solidariedade Social (IPSS) de todo o país. Este encontro foi promovido pela Segurança Social e envolveu as IPSS que aderiram ao programa DOM (Desafios, Oportunidades, Mudança) e teve a presença do Ministro e Secretários de Estado do Ministério respectivo.
Das várias intervenções, surgiu um facto que faz pensar.
O grande número de crianças que se encontram em instituições. No ano de 2007 eram exactamente 11 362, dos quais 7 000 em lares de crianças e jovens. Em 2006, este número era superior a 12 000.

Manuel Malvar Fonseca - Director

O artigo completo está disponível na edição de 5 de Outubro d'O Leme (494)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O Caso 'Maddie'

Editorial

Imperou o bom senso.
Ao decidir-se pelo arquivamento do processo e pela não culpabilização dos Pais da menina desaparecida, o Ministério Público veio simplesmente constatar o óbvio: a ser verdadeira a tese de morte por negligência em que os pais da criança estariam envolvidos, como é que eles, naturalmente angustiados pela perda da filha, conseguem, primeiro tomar a decisão e depois, com a ajuda de alguns amigos estrangeiros que não conheciam a zona, esconder o corpo da criança, em tão pouco espaço de tempo, de maneira tão eficaz que as sucessivas buscas não conseguem encontrar?
Para além desta, há muitas outras perguntas que a tese do homicídio por negligência, apadrinhada pela nossa Polícia Judiciária não consegue responder. Se os pais fossem responsáveis pela morte da filha, para que iriam alertar a comunicação social? Normalmente quem comete um crime, procura esconder-se.
Durante este ano que deve ter sido sobremaneira doloroso para o casal Mc Cann foram-se produzindo inúmeros debates, comentários, muitos deles de baixíssimo nível, com mentiras à mistura.
Um das muitas enormidades produzidas consistiu em dizer que os pais tinham montado um circo mediático. Mas alguém acreditará nisto?
Os media de todo o mundo estão ansiosos, por razões óbvias, por casos destes: aumentam-lhes as tiragens e fazem-lhes subir as audiências. Não precisam que ninguém lhes monte o circo.
Que o Papa não tinha nada que os ter recebido. Imaginem agora o que teria sucedido se Bento XVI, por dificuldade de agenda, não tivesse recebido o casal. Caía o Carmo e a Trindade!
Que os Pais não tinham nada que ir falar com o Pároco da terra, como se isto não fosse um direito que lhes assistisse e ao Padre uma obrigação.
Impressionava ainda a sobranceria, a roçar a arrogância, com que alguns fazedores de opinião e intervenientes em debates televisivos, falavam deste caso e como se alinhou numa disputa Portugal – Inglaterra em jornais e polícias. Salvaram-se, honra lhes seja, alguns advogados, psicólogos e pouco mais.
O canal de televisão britânico Sky News não se costumava referir aos jornais portugueses com a sobranceria com que os portugueses, nem todos diga-se, em abono da verdade, se referiam aos ingleses.
Duma coisa, porém, o casal Mc Cann não se pode queixar: de as nossas polícias não se terem empenhado seriamente no caso.
Seria bom que tanto caso de criança desaparecida tivesse tido o mesmo apoio. Uma Mãe portuguesa, de entre as várias que tinha tido o seu filho desaparecido, há vários anos, queixava-se amargamente de apenas ter tido apoio de dois agentes da P. J., durante 15 dias. Depois foi abandonada à sua sorte.
E à sua dor.
No meio de toda esta incomensurável tragédia que representa a perda de um filho e da desigualdade de tratamento que é dado aos diferentes casos, fica um aspecto positivo. Falou-se como nunca deste drama em Portugal e no Mundo e o próprio casal Mc Cann tomou iniciativas para que a resposta das autoridades a estes trágicos desaparecimentos seja mais célere.

Manuel Malvar Fonseca

Editorial d'O Leme' n.º491

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Dois exemplos

Editorial

Costuma-se dizer que, nos “media”, só aparecem desgraças e maus exemplos. Nem sempre é assim. Recentemente os jornais e televisões falaram de dois casos que bem merecem reflexão.

Íngrid Betancourt
Esteve 6 anos sequestrada, pelas FARC (Forças Revolucionárias da Colômbia). Esta senhora, oriunda de boas famílias foi raptada, durante a sua campanha eleitoral para a presidência do seu país, a Colômbia. Foram anos muito duros, sobretudo os últimos três, a partir do momento em que tentou fugir, juntamente com outro prisioneiro e foi capturada. Chegou a estar acorrentada, pelo pescoço, 24 horas por dia.Não soube o que era água quente ou electricidade, durante aqueles 2.321 dias. Dormia no chão com dores atrozes, mas depois estranhou, quando após o cativeiro, voltou a deitar-se numa cama normal. A saudade dos filhos foi imensa. Deixou-os com 13 e 16 anos e reencontrou-os com 19 e 22. “Quase que sinto que não sou digna deles, que não tive nada a ver com o seu crescimento”, afirmou depois da libertação.
Houve momentos de grande desânimo que se seguiram às terríveis torturas a que os prisioneiros eram sujeitos: “fizeram-nos coisas tão monstruosas que eu acho que eles próprios ficaram enojados”, disse.
No meio desta terrível situação, qual era a força que segurava esta mulher á vida?
A Fé. A leitura da Bíblia era o seu alimento, na selva colombiana. Depois da libertação, ajoelhou-se no aeroporto de Bogotá, juntamente com a Mãe e outros reféns, e agradeceu a Deus. À revista colombiana “Semana” disse que a “imensa humilhação e sofrimento a ajudaram a polir a alma”.
Quando se vê e ouve falar esta Senhora, sente-se que a verdade lhe brota da alma, como a água da fonte. E tem um olhar humilde, límpido e verdadeiro.
Uma família de 9 filhos
A SIC, após o seu Jornal da Noite, do dia 14 de Julho último, fez uma extensa reportagem sobre uma família de 11 pessoas: Pai, Mãe e 9 filhos. Não é uma família rica. Vive com menos de 2 salários mínimos por mês.
Qualquer um dirá que tal façanha é impossível. Pois é mesmo verdade e as pessoas estão felizes. Respirava-se alegria e paz naquela casa.
Os três irmãos mais velhos já frequentam a Universidade, os cinco seguintes frequentam o Ensino Secundário ou Básico. Só a mais pequenina da família é que ainda está em casa com o “Papá e a Mamã”.
A grande festa, disseram, é quando os irmãos se juntam todos.
Uma família assim é o espaço ideal para aprender a soletrar a palavra solidariedade.
Os Pais insistiam muito com os filhos para que estudassem. E eles estudam e com aproveitamento.
Claro que sendo tantos os filhos, não há lugar para desperdícios nem para luxos. Um dos rapazes mais velhos dizia que nunca tinha ido a uma viagem de finalistas. E dizia-o sem mágoa. É naturalmente precisa uma grande ginástica financeira para equilibrar o barco. Só no início do último ano lectivo a família gastou 700 Euros em material escolar.
Onde está o segredo desta família? Haverá muitos. Mas olhando para a figura dos Pais começa-se a perceber… O Pai é uma serena e contínua presença trabalhadora. A Mãe que falava com uma grande couve na mão e um sorriso no rosto e uma irradiante paz. Dizia: “se calhar a minha vocação é mesmo ter filhos”.
Há algo de parecido entre estes Pais e a Mãe da primeira parte desta crónica. Irradiam paz e verdade.
O Profeta Oseias diz que Deus fala ao coração do homem.
Pais assim também nos falam ao coração.

Manuel Malvar Fonseca

Editorial d'O Leme' n.º490